Minhas convicções sobre beleza estavam abaladas, desde que a “feiúra” havia virado manchete domingo passado na Revista da Folhade SP. A reportagem da capa falava sobre uma nova tendência na moda, nas baladas e na arte: ser feio. Trabalhando nesse meio, realmente já havia observado certa onda sendo formada nesse sentido nos últimos tempos. Mesmo ainda não tendo sido totalmente convencida da força desse modismo, confesso que estava começando a concordar com alguns pontos dissertados na matéria... Até esbarrar ontem com ele. Reynaldo Gianecchini.
Demorei no escritório mais do que o de costume. Apurada para chegar a casa logo, eu apertei uma tecla errada em meu computador que o travou bem na hora em que estava quase desligando. Ao sair, alguns minutos depois de ter resolvido o problema, cheguei a trancar a porta, mas tive que a abrir novamente após ter a impressão [equivocada] de haver esquecido uma luz acesa lá dentro. Foi uma série de pequenas interrupções que jamais teriam tido importância se não tivessem ocorrido justo para me colocar na calçada do prédio no momento preciso - nem um segundo a mais nem um a menos - para que finalmente tirasse da cabeça qualquer dúvida que ainda tivesse sobre a questão estética lida dois dias antes.
Perplexa diante do bonito, eu parei e paralisada fiquei. Infelizmente, não foi uma daquelas trombadas boas, porque Giane foi gentil e desviou de mim. Porém, eu totalmente hipnotizada, continuei andando atrás dele. Só consegui sair do meu transe, quando nos aproximamos de um ponto de taxi e ele entrou em um carro, seguindo em outra direção. Restou então à adolescente boba - que vez por outra baixa em mim e cisma em possuir-me nos momentos mais inapropriados - somente uma opção madura. Vir aqui - mesmo arriscando ser julgada, criticada e até desfavoritada dos blogs amigos – e, retratar-me do meu último post. Muito bem: Vinicius tinha razão sim, quando pedia que as feias o perdoassem, porque beleza era fundamental... Então, que essa moda do feio seja infinita enquanto dure, pois o belo é eterno.
Em todos nós há um vazio. Invisível aos olhos, ele está lá. Um espaço intangível dentro da gente que provoca uma necessidade de preenchimento. Sempre. Ousando discordar de Vinicius de Moraes... O vazio - mais do que a beleza - sim, que é fundamental. Na maioria das vezes, o sentimento de ausência é o que acaba por nos completar.
Qualquer um, com uma dose mínima de autoconhecimento e muita coragem, consegue acessar seus nichos internos e fazer bom uso dos vácuos encontrados por ali. Claro, a ocupação deles dá um certo trabalho, é cansativa e pode ser dolorosa. Eu e minha preguiça emocional, que o digam. No entanto, o processo vale cada gota de suor e lágrima que por ventura seja derramada. Sempre acaba servindo como força propulsora para realizar desde minhas criações mais ínfimas até meus sonhos mais mirabolantes.
Talvez por acreditar nisso, a explicação da curadora Ana Paula Cohen quanto ao polêmico espaço do 3º pavilhão da Bienal de Arte de São Paulo esse ano tenha feito tanto sentido para mim. Os metros e metros traçados na grandiosidade da obra de Oscar Niemeyer estão ali, em sua maioria, vagos. Ávidos por preenchimento. Esperando que sua imensidão, sustentada por colunas simetricamente alinhadas, seja percolada pelo público, e não, camuflada por mais obras de arte. Uma exposição que, se não for por (ou pelo) nada, nos inquieta a ponto de fazer-nos refletir sobre o quê está faltando. Completamente.
Há uma nova seita na praça à qual aposto que acabará se convertendo em breve. Oscar Wilde já dizia: "resisto a tudo, menos a tentação"... E será rezando pela cartilha dele que você provavelmente sucumbirá a essa neo-religião. Tive convicção disso outro dia logo após ter visitado seu templo. Um cubo enooorme de vidro - cravado bem no centro de um dos principais quarteirões turísticos da “big” cidade que também carrega “apple” no nome.
Fiquei impressionada com a força poderosa que conduzia milhares de fiéis a serem engolidos para o subsolo da flagship store da Apple em Nova York. Um lugar insano feito para pecar! Lá embaixo, em meio a um verdadeiro inferno humano, deparei-me com um paraíso sob a terra onde é impossível resistir à tentação de não tirar um tasco daquela maçã.
Enquanto discípulos do mundo todo comungavam sobre ipods multicoloridos e macs finos como hóstia, decidi em 30 segundos onde depositaria meu dízimo. Mesmo sem ter visto da missa a metade, submergi dali com uma certeza: Iphone...ainda vou ter one. Amém!
Faz diferença, sim. Toda! Quem disser que não, está mentindo. Em certos casos, de tão minúsculo, causa até espanto. Vide a comoção que esse pequeno descendente de italiano - nascido na Bavária e naturalizado brasileiro - causou ontem na rua.
Em pleno bairro dos Jardins em São Paulo, notório pelo incrível desfile de “carrões”, um Romi-Isetta (1959) azul deu o que falar. Todos por ali queriam olhá-lo de perto... Averiguar se era de verdade mesmo. Enquanto muitos, boquiabertos, não acreditavam no que estavam vendo, outros não se continham e tiravam sarro de seu tamanho.
O dono dele nem se importou com o falatório. Todo orgulhoso, o senhor já deve estar acostumado a chamar tanta atenção. Afinal por onde passa, o pequeno notável para o trânsito. Literalmente.
Infelizmente algumas atrocidades cometidas no mundo não têm conserto, mas numa esfera bem fútil, certas barbaridades as quais por vezes sujeitamos nossos cabelos, têm. Graças aos poderes de Sansão e da engenharia química moderna, nem tudo está perdido. Sempre há uma solução para pobres mulheres - acometidas por súbitos surtos de insanidade - vítimas de tragédias capilares causadas por tinturistas sem noção.
Eu sei, porque vivi isso no sábado. Nem sei dizer ao certo o que passou pela minha cabeça para querer clarear as pontas dos cabelos em pleno inverno. Talvez estivesse buscando um tico de sol para iluminar-me naquele dia nublado, mas certamente nada que envolvesse aplicar mais de 300ml de descolorante em 2/3 de minha cabeleira. Resumindo: Cindy Lauper, na sua fase mais radical, ficou careta diante do resultado punk do meu visual bicolor oxigenado. Um susto!
Espero que a aventura tenha servido de lição para mim e de exemplo para outras(os) impulsivas(os) como eu. Ontem, depois de cinco horas sentada na cadeira de outro salão de beleza e com o a cor natural restaurada, pude confirmar que “dois frascos de Blondor” não fazem verão! Certas coisas só o tempo dá jeito. Naturalmente. E já que estava ali há um tempão mesmo, aproveitei para cortar as madeixas. Mas, não se engane pela foto! O que parece ser um corte à la Victoria Beckham, não é. Copiar o look da onipresente- fashion icon- wannabe seria um erro imperdoável de minha parte. Esse sim, sem conserto.
Quando uma competição é inevitável, acredito que um resultado positivo seja invariavelmente vital para ambas as partes envolvidas no desafio. Quanto mais dura for a prova, mais ela acaba servindo para testar nossa habilidade de superar dificuldades, lidar com adversidades e saber como vencer. Já que estamos em tempos de Olimpíadas, aproveito a analogia abaixo para contar como pontuei.
Sempre me vi como uma corredora rasa; de explosão. Porém, a vida acabou me ensinando a construir mais resistência e virar fundista. Ontem, após uma longa maratona judicial, conseguimos - eu e minha equipe - cruzar a linha de chegada. Ganhamos, finalmente. Foi uma "barra" pesadíssima a qual nunca tivemos intenção de disputar. Havíamos sido chamados para exercer a função de treinadores e estávamos legitimamente felizes por ter ajudado um talento em potencial a chegar ao topo. No entanto, o pódio mostrou-se tão alto que quem o ocupou só conseguia enxergar seu próprio umbigo. Lá de cima.
Sentimo-nos duplamente vencedores, porque além de levar o ouro, também legitimamos oficialmente nossa honra, que sempre foi prata da casa. Tudo terminou bem e com uma comemoração merecida! Eu e minha querida comitiva brindamos juntos à vitória. Doce.
Muitas mulheres, em algum momento - entre o sonho de serem Cinderela e a dura realidade de terem que se transformar em Mulher Maravilha - se imaginam rockstars. Há algo de muito forte na imagem de uma roqueira... Uma transgressão que seduz a todas. E todos.
Se existem situações onde o sexy fala mais alto que a sensualidade... Esta é uma delas. Taí, um video remix promocional que finalizei ontem para o lançamento da nova coleção de outono 2008 da marca Reverbcity. Em pleno rock and roll-fashion-comeback , se jogue na energia intensa dessas guerreiras de palco..e deixe um rastrooo de suor na pista!
O sabor desse blueberry pie é tão delicado quanto o de um beijo roubado. Faz a gente sair do cinema com uma vontade louca de provar um pouco..Dos dois.
Um filme que fala de encontros e desencontros. Denso, como a calda quente que escorre de dentro da torta e se funde com o creme branco suave que derrete na colher, ele tem o poder de adoçar corações amargurados.
A receita não é das mais simples, mas também qual estória de amor é?..
MASSA
2 ½ xícaras de farinha de trigo + ½ para polvilhar
1 c de chá de sal
200g de manteiga cortada em cubinhos
½ xícara de água gelada
Numa superfície de trabalho limpa e plana misture bem a farinha, o açúcar e o sal. Agregue aos poucos os cubos de manteiga, amassando-os delicadamente com as pontas dos dedos até atingir a consistência de uma farofa grossa. Junte a água às colheradas até formar uma massa lisa. Divida-a ao meio fazendo duas bolas, cubra-as com plástico filme e leve-as à geladeira por 1 hora antes de usar.
RECHEIO
1 ovo grande
1 c de sopa de leite
750g de blueberries frescas
2 c de sopa de suco de limão
¼ de xícara de farinha de trigo
½ xícara de açúcar
1 pitada de canela em pó
50g de manteiga em cubinhos
Abra metade da massa numa assadeira redonda de 20-25 cm, levemente untada com farinha de trigo, suficiente para que suba pelas bordas e ainda sobre uma rebarba. Refrigere por 30 min. Bata o ovo e o leite. Reserve. Numa vasilha grande, junte os blueberries, o suco de limão, o açúcar, a farinha de trigo e a canela. Despeje na assadeira forrada com a massa e espalhe os cubinhos de manteiga por cima. Abra o restante da massa, cubra o recheio e comprima com as pontas dos dedos as laterais para fechar a torta. Retorne para a geladeira por mais 15 min. Depois, talhe um “x” no centro da cobertura, espalhe a mistura de ovo e leite por cima da massa e coloque a torta para assar por aproximadamente 40 min. no forno pré-aquecido a 210º. Retire, espere uns 20 minutos e sirva morna com uma bola de sorvete de baunilha. Caia de boca e apaixone-se!
Ontem em meio a um cenário sombrio de um circo reinventado, pude constatar que a alegria e a melancolia continuam se encontrando nos picadeiros da vida. Seja na infância roubada da contorcionista, no vôo incerto do trapezista ou no riso pintado do palhaço...Ainda existe algo de triste. Lá.
Assim que cheguei à entrada do Cirque du Soleil, notei que pouco havia mudado desde a última vez que assistira a um espetáculo sob uma lona gigante. Eu cresci, mas a cobertura – proporcionalmente - também. Diante daquela armação enorme montada, senti-me minúscula como antes.
Segue sendo um espaço onde a beleza se confunde com a estranheza. Mesmo repaginado, acredito que o circo sempre será palco para as bizarrices do homem...Daquele que as faz, tanto quanto daquele que as assiste. Sentado. De onde em certos momentos se dá um misterioso sincretismo e os papéis são trocados. Sem que se perceba...A fantasia.
Passava um pouco das sete da noite e eu estava me aprontando para voltar para casa. O trabalho tinha rendido um monte, tinha acabado de regar minhas plantas na sacada e soprava aquela brisa fresca típica das noites de outono. Tudo indicava que fecharia o dia de ontem super bem, quando de repente o vento mudou de direção. Comecei a escutar um barulho estranho... Tóin, tóin tóin. Olhei para fora da janela e só deu tempo de me esquivar do objeto gigantesco de 1,20m x 1,20m que vinha em minha direção! Não me atingiu... Por pouco foi detido pela barra metálica do parapeito. Daí o som das gongadas.
Meus vizinhos de cima, que se mudavam para uma sala nova no outro bloco do prédio, estavam içando uma mesa para baixo. Aparentemente, acharam por bem levar - junto com ela – o reboco da minha parede recém pintada também. Nem aí com o mundo ao redor, fizeram o que tinham de fazer e foram embora me largando lá falando sozinha. Nem pensar em pedir desculpas, afinal para quê se incomodar com o incomodo dos outros, não é mesmo? Coitados! Mal sabiam eles que isso seria suficiente para acordar a fera adormecida dentro de mim. Minha veia ariana não suportou tamanho descaso. Grrrr, surtei! Virei louca... Daquelas que a gente vê dando chilique em público e sente um misto de vergonha e pena da pobre sem noção.
Como se fosse fazer alguma diferença na conduta dos quatro peões mal pagos e da assistente loura mal educada, quis tirar satisfações com meu vizinho. Fui bater na porta do escritório novo dele. Ele, um cara da minha altura, porém dez vezes mais forte que eu, abriu a porta. Rapidamente ele demonstrou sua vontade de brigar comigo também, de igual para igual. Chamou-me lá para fora. Medo... Havia livrado minha cabeça da mesa assassina, mas talvez não conseguisse livrar meu pescoço das mãos inimigas. Confesso, que os 15 segundos de descida dentro do elevador com ele foram dos mais longos de minha vida. Quem sabe da dele também, porque chegamos os dois na portaria com os ânimos bem menos exautados. No fim, acho que me senti tão mal com aquele barraco todo que só queria apagar aquilo tudo da memória. Exceto uma coisa: o impacto que o design ultra bacana do showroom novo do meu vizinho causou em mim. De concreto aparente e branco, todo no estilo industrial. Inesquecível! No dia da mentira, sem brincadeira... Cada louco com sua mania.
Não posso te contar onde o coelho escondeu teus ovos de Páscoa...É segredo. Porém, posso revelar algo quase tão gostoso quanto a descoberta do proíbido. Tcharam...Minha receita secreta de mousse de chocolate. Divina!
Dispensa palavras, de tão boa e fácil de fazer. É capaz até de te confundirem com o próprio orelhudo, assim que puser a primeira colherada dessa delícia na boca e sair saltitando pela casa. De prazer.
12 ovos
12 colheres de sopa de açúcar
500 gr de chocolate meio amargo
Bata as claras em neve e reserve. Numa outra vasilha, peneire as 12 gemas restantes e as bata junto com o açúcar, até que virem um creme claro. Junte aos poucos o chocolate (derretido em banho-maria) e misture bem. Por último, incorpore suavemente as claras em neve. Despeje a mistura no teu bowl preferido. Daí, é só cubrir, colocar no freezer por 30 minutos e depois baixar para a geladeira por 2 horas antes de servir. Corre lá fazer... dá tempo de provar ainda hoje!
Foi-se o tempo em que perfumes eram criados somente com a preocupação de harmonizar as notas de sua fragrância. Agora eles têm de entrar no ritmo dos novos tempos e acertar também as notas musicais que tocam! Essa é a aposta da marca de luxo inglesa, Burberry, que tem rebolado um bocado para entrar em sintonia com o público jovem.
Conhecida por cobrir um monte de mulher bacana com seu xadrez clássico bege, a marca acaba de lançar o perfume The Beat, na esperança de colar na pele das moças também. Sem perder o compasso contratou a it girl, Agyness Deyn, como garota-propaganda da campanha. Além disso, reza a lenda que para inspirar os técnicos na alquimia, só rolou Kasabian, Dirty Pretty Things, Razorlight, Arctic Monkeys e The Fratellis no player do laboratório enquanto eles tentavam compor uma mistura de pimenta rosa, tangerina, almíscar branco, cardamomo e mais um monte de outras ervas que garantiriam um toque de leveza floral à criação.
O resultado não ficou nada indie-pop, e sim um garage-rock mesmo. A parada é bem forte, principalmente na versão Elixir Parfum. Portanto, vai aqui uma sugestão de não exagerar nas bo-riff-adas, senão é capaz da coisa ficar meio heavy-metal para o seu lado e você acabar dançando! Feio.
esc
* co-escrito por Tony Strauss , idealizador da marca de camisetas Reverbcity que cria música para vestir. Além de entender muito de design, é também um indie expert que passou de leitor assíduo desse blog a colaborador eventual também. (contato@reverbcity.com)
Hoje não será um daqueles domingos de almoço em família com aroma de tempero inundando os quatro cantos da casa, mas nem por isso será menos gostoso. Enquanto eu estou sozinha aqui, colocando tudo em ordem para começar a semana em pratos limpos, fico sonhando com o sabor de dias regados a comida boa e vida à toa. A imaginação me sacia. É só deixá-la me levar...
De entrada, antepastos comprados cedo na Basilicata. Um bocado de coisinhas para comer sem pressa com pão quentinho, só para tapear o apetite enquanto o molho apura no fogão. Devagarzinho. Então, o prato principal fica por conta da massa feita pela avó e o tinto trazido pelo irmão. E por último de sobremesa, um doce prazer feito de parte mascarpone, parte chocolate e café.
Essa receita esquentou-me nesse domingo fresco de outono. Imagino que cada um tenha a sua – igualmente infalível - que não está escrita em nenhum livro de culinária, e sim gravada nas páginas de sua mente. Aquelas que a gente folheia quando se quer alimentar a alma. Faminta.
Gabriela Pegurier, pessoal e intransferível. Eu estou aqui frente, verso e nas entrelinhas. O design sempre fez parte do meu universo e é através dele que me expresso. Meu olhar, minha vida.
Formada em arquitetura, iniciei minha carreira cedo flertando com estilismo, mas logo depois fui trabalhar com interiores. Em 2000, comecei a prestar serviços em design marketing. Faço isso até hoje, só que agora exclusivamente para a marca de moda da qual me tornei sócia há pouco.
Amo documentar em vídeo e escrever sobre essa minha paixão: design. Tomara que goste daqui e volte quando quiser para tomar um café comigo. Assim posso te contar mais um pouco, sempre!