VIDA por Isabella Alvim

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
Antoine de Saint-Exupéry
A emoção que sinto ao ler algo é imensamente maior do que qualquer imagem ou sonoridade que possa ver ou escutar. Essa não é uma questão a ser defendida, é apenas o meu ponto, o que me desperta com mais facilidade para as emoções. É sempre a partir de algum trecho de algum autor, que surge uma coceirinha interna e me empurra para uma luta entre papel e caneta, tentado decifrar em palavras o quanto fui provocada em sentimento. È um impulso que não aceita negativa, mas que me presenteia com a mais maravilhosa sensação de tarefa cumprida!
Os últimos meses foram de grande introspecção e me permiti mergulhar nesse mundo tão protegido das emoções. Não sei se tive alternativa, mas o fato é que fechei para balanço e assumi a aventura. Quis estar inteira e molhar do dedão do pé ao último fio de cabelo. É bem verdade que os amigos, sempre fundamentais, fizeram muita falta; também senti a ausência dos grandes encontros que a vida proporciona em momentos tão inesperados – uma fila de banco, o balcão de uma padaria, ... – onde através de um diálogo curto ou de uma mera observação crescemos a cada minuto, considerando que tudo tem realmente um sentido maior. E olha que acredito nisso profundamente! Mas estava imersa em mim mesma e não havia espaço para interações assim.
Tentando elaborar essa nova vida que literalmente cresce dentro de mim, entre enjôos e azias, fui forçada a parar e considerar essa imensidão de mundo que são os nossos sentimentos e caminhar em direção a novas etapas de mim mesma. Preciso confessar que inicialmente não foi nada suave, incomodou muito, tentei resistir. Ao perceber que esse era um chamado íntimo de mim para mim mesma, apesar da solidão exigida, procurei respeitar o fluxo e aproveitar a oportunidade.
Mas clarear o que é realmente imprescindível em nossas vidas, o que não podemos dispensar nessa viagem (mesmo incomodando) e o que faz e não faz parte da nossa essência são percepções pra lá de dolorosas e que não têm respostas objetivas, concretas, como gostaríamos.Conhecer e assumir quem realmente somos – qualidades e defeitos carregados de tintas vibrantes – é pra lá de corajoso, acho que heróico até! Mas garanto que o efeito libertário é infinito! O mergulho vale à pena e a viagem, mais ainda!
Voltei dessa com a certeza de que precisamos reencontrar a criança que fomos, resgatar todo aquele colorido de sentimentos e sensações e nos assumir da nossa forma, respeitando quem somos de verdade, aceitando a transitoriedade da vida e a condição de aprendizes de emoções! O melhor de tudo é que precisei novamente gerar outra vida para me reencontrar nessa plenitude. São os maravilhosos mistérios da vida... Que tal mergulhar também?
* escrito exclusivamente para o Design.blog por Isabella Quadros Alvim ialvim@hotmail.com. Psicóloga clínica formada pela Universidade Mackenzie com especialização em Psicologia Analítica no Carl Jung Institute - Chicago/IL, especialização em Arte Integrativa na Universidade Anhembi-Morumbi/SP e Especialização em Psicogerontologia na Puc/SP. E que nao tem diploma de designer, mas carrega dentro de si uma criação divina. A vida.
Categoria: Avaliação
Escrito por Gabriela Pegurier Design.blog às 23h34
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